O ano de 1987 marca o início da carreira dos Nirvana, que não foi muito diferente de outras bandas independentes, com concertos e pequenas apresentações em bares, festas e universidades locais. O som produzido por eles já se caracterizava por ser uma mistura contagiante da agressividade e rebeldia do punk rock com o peso e energia do metal/hard rock. Já era notável também o talento de Kurt Cobain, líder e principal compositor dos Nirvana. Aos poucos a banda ia fazendo nome e foi através dessa relativa fama que o produtor Jack Endino, depois de os conhecer e de ficarem amigos, produziu algumas fitas demos com as quais convenceu Jonathan Poneman, patrão da Sub Pop, a assinar um contracto com os Nirvana.
O primeiro fruto desse contracto foi este vinyl lançado em dezembro de 1988, com as músicas "Love Buzz" (cover da banda holandesa Shocking Blues) e "Big Chesse". O lançamento final deste single foi marcado por alguns problemas porque apesar de fazer um excepcional trabalho de divulgação de bandas que não encontravam apoio nas grandes editoras, a Sub Pop continuava a ser um pequeno selo cujos escassos recursos frequentemente atrapalhavam os dignos propósitos dos seus fundadores, e assim os Nirvana, não só viram o atraso do lançamento de "Love Buzz" que era para ter sido em junho de 1988, como também tiveram de aceitar um aumento no preço final do material, para tentar evitar uma possível perda de dinheiro investido pela editora. Felizmente, não foi o que aconteceu. Esta raridade vendeu muito bem e para além das 1000 cópias originais, foi necessário fazer mais 200, principalmente devido ao facto de os Nirvana já possuirem um público fiel, nascido das famosas e incendiárias apresentações da banda em Olympia e Seattle. Neste momento o valor deste vinyl oscila entre os 2.000€ e os 2.500€.
No fim de 1988 os Nirvana entram em estúdio para gravar o seu primeiro LP, o álbum "Bleach" que foi lançado em junho de 1989. Durante a digressão de divulgação do álbum, Chad Channing (baterista) sai em maio de 1990 alegando diferenças musicais com Kurt Cobain e Krist Novocelic , e para seu lugar é chamado Dale Crover dos Melvins, mas este também não fica muito tempo, e logo depois quem assume as baquetas é Dan Peters, dos Mudhoney que grava, ainda em 1990, o single "Sliver", com a música "Dive" no lado B. Gravam também um EP chamado "Blew" ao lado de Butch Vig (que viria a ser o baterista dos Garbage e produtor de outros clássicos do rock alternativo, como é o caso de "Siamese Dream" dos Smashing Pumpkins e "Dirty" dos Sonic Youth). "Blew" é uma edição limitada que faz dele mais uma raridade hoje em dia. Em outubro de 1990, encontram finalmente o baterista definitivo, Dave Grohl. Depois de uma digressão pela Europa, os Nirvana continuavam a sair rapidamente do anonimato e resolvem negociar com as várias editoras que os assediavam. Aconselhados pelos amigos Sonic Youth, assinam contracto com a DGC (uma divisão da Geffen Records) em abril de 1991. A SubPop ganha também com a mudança, arrecadando um bom dinheiro pela rescisão do contrato com os Nirvana, devidamente pago pela DGC.
Novamente com a produção de Butch Vig, os Nirvana entram em estúdio para gravar o seu segundo álbum. O resultado das sessões no famoso estúdio Sound City, na California, é lançado em 24 de setembro de 1991 e intitulado "Nevermind". O disco tem uma excelente produção que destaca bem as excelentes melodias criadas por Kurt Cobain e deixa o "barulho" produzido pelo grupo mais acessível. "Nevermind" é um clássico do início ao fim, citado constantemente como um dos melhores discos de rock de todos tempos. Poucos discos na história tiveram tantos hits reunidos lado a lado: "Come as You Are", "Smells Like Teen Spirit" e "Lithium" foram tocados até à exaustão.
Com todo este sucesso, começam os problemas de Kurt Cobain que mostra uma incapacidade de suportar ser aquilo em que se transformou. Cada vez mais ficava evidente a sua tendência para as depressões, a sua fraqueza ao lidar com drogas e os seus impulsos suicidas começavam a florescer.
Em 1993, a banda tem uma quantidade suficiente de novas composições para a gravação de um novo disco. A idéia era fazer um trabalho que retomasse as raízes do grupo, sem facilidades e concessões. O produtor escolhido para os ajudar nesta tarefa foi o respeitado Steve Albini. O novo disco, "In Utero", foi concluído em duas semanas e foi lançado em 23 de setembro de 1993. Trata-se de um disco tão brilhante quanto "Nevermind", com a diferença de ter sofrido uma enorme expectativa. No dia 6 de Fevereiro de 1994 os Nirvana começaram a sua digressã0 europeia em Portugal, no Pavilhão Dramático de Cascais. No dia 8 de Abril, Kurt Cobain é encontrado morto na sua casa e segundo investigações tinha cometido suicídio 3 dias antes. A sua morte, aos 27 anos, foi o primeiro passo para o fim da chamada era "grunge".
Quando o movimento punk explodiu na Inglaterra, Mark E.Smith era apenas um jovem que trabalhava nas docas de Manchester e que tinha tentado, sem sucesso, entrar em uma das bandas de heavy metal locais. Mark odiava o estilo e preferia os sons mais experimentais dos Velvet Underground e da banda alemã Can. Resolveu então procurar algumas pessoas para formar uma banda e assim nasceu, em 1977, os The Fall, nome tirado de uma novela do escritor franco-argelino Albert Camus. Mark nunca gostou muito de estabilidade, já que o número de músicos que passaram pelos The Fall é enorme. Na verdade, pode-se considerar uma banda de apenas um elemento, mais os convidados. E o mais impressionante de tudo isto é que ele produz de uma maneira avassaladora, compulsiva, tamanha é sua discografia.
Em fevereiro de 1988 lançam o que pode ser considerada a grande obra-prima pop da banda, "The Frenz Experiment". O álbum trazia, além do “Hit The North” (na versão americana e alemã), uma cover de “Victoria”, dos Kinks, que se tornou num dos maiores sucessos da carreira da banda, mas a última coisa que a maior parte dos fans dos Fall esperariam era que a banda fizesse, ainda em 1988, música para um ballet, mas de facto foi isso que eles fizeram. Mark fez uma invulgar parceria com a vanguardista companhia de bailado do coreógrafo Michael Clark, que teria como resultado este disco "I Am Kurious Oranj". Recordo-me de têr achado uma ideia muito á frente no tempo e só tenho conhecimento de tal projecto ter sido repetido pelos belgas Zita Swoon no ano 2000. Para muitos dos meus amigos, este álbum teria sido mais interessante para vêr do que ouvir. Eu gostei de o ouvir mas só hoje o pude vêr, facto que quero partilhar com todos vós
A par dos Stone Roses, os Happy Mondays foram uma das bandas de referência da cena de Manchester, e do chamado movimento Madchester, nascido em finais de 80 e princípios de 90. No entanto, se por um lado os Stone Roses centravam-se essencialmente na pop dos anos 60, os Happy Mondays, mergulharam em profundidade no movimento da música de dança, e nele beberam a esmagadora maioria das suas influências.
Liderados pelo vocalista Shaun Ryder, os Happy Mondays formaram-se em 1985, e vieram, de certa forma, mostrar à luz do dia o lado negativo das raves e da cultura da música de dança, que passou então a estar associada às drogas e à violência. Apoiados em letras surrealistas e em sonoridades agressivas, os Happy Mondays foram pioneiros na introdução de ritmos próprios do hip hop, na sua música, do mesmo modo que começaram a adaptar melodias e versos de outras canções às suas, quebrando quaisquer tipo de barreiras musicais que pudessem existir na altura. Todo o ecletismo e diversidade que caracterizavam a música dos Happy Mondays, deixaram marcas para a posteridade vincadas em bandas influentes da actualidade, tais como os Chemical Brothers, no que toca à música de dança, e os Oasis, na área do rock.
O álbum de estreia da banda foi editado em 1987. Intitulado "Squirrel & G Man Twenty-Four Hour Party People Plastic Face Carnt Smile", foi produzido por John Cale e consistiu apenas numa pequena introdução ao ecletismo que viria a tornar-se na imagem de marca da banda.
Foi com este "Bummed", o segundo trabalho da banda, editado em 1988, que os Happy Mondays foram projectados para a ribalta, primeiro em casa, depois no mercado além- fronteiras, tendo as fortes perspectivas sobre o futuro da banda sido confirmadas com a edição do álbum "Pills ´n´ Thrills & Bellyaches". O registo foi considerado uma espécie de "caleidoscópio neo-psicadélico de alucinogénios", que se tornou na obra-prima da banda, proporcionando aos músicos a vivência do auge da popularidade da sua carreira.
Os Stone Roses apareceram na metade da década de 80 em Manchester. Os Joy Division já não existiam mais, mas os New Order, os Smiths, The Fall, e a Hacienda (club mítico de Tony Wilson) continuavam a segurar o "bastão" e a atenção do mundo continuava voltada para a cidade inglesa, que era vista como o grande centro musical da época. O que veio depois, liderado pelos Happy Mondays e pelos Stone Roses, ficou conhecido como Madchester e, para muitos, marcou o início da cultura rave. Enquanto os Happy Mondays foram aos poucos esquecidos, os Stone Roses resistiram e hoje é considerado um nome fundamental da história do rock, tendo extrapolado os limites da Madchester do fim dos anos 80. Os Stone Roses nasceram em 1985, das cinzas dos The English Rose, e foram formados pelos colegas de escola John Squire (guitarrista) e Ian Brown (vocalista). 1987 é o ano dos primeiros lançamentos discográficos pela Thin Line Records que foram os singles "So Young" e "Sally Cinnamon".
Em 1988, já com Reni na bateria e Mani no baixo, os Stone Roses assinaram com a recém-criada editora Silvertone Records e lançam este maxi-single, chamado "Elephant Stone", que foi produzido por Peter Hook (New Order) e que começa a mostrar o gosto da banda em cruzar os ritmos de dança e as melodias luminosas. A reputação da banda estava bem estabelecida e os concertos lotados em Londres eram rotina. Para consolidar de vez, saiu o primeiro LP da banda, o histórico álbum homónimo que foi imediatamente aclamado pelo público e pela crítica. Os singles do álbum "Stone Roses" estavam em todos os Tops e o mundo inteiro rendeu-se a esta banda.
Os Stone Roses tocaram em Portugal no dia 11 de Agosto de 1996, no histórico relançamento do Festival Vilar de Mouros, onde apresentaram um espectáculo tecnicamente medíocre, tornando quase irreconhecíveis alguns dos temas que os fizeram famosos. Foram decepcionantes. O que valeu nessa noite foi a prestação dos suiços Young Gods.
Steven Patrick Morrissey nasceu no dia 22 de Maio em Manchester, Inglaterra. Na adolescência era tímido e desajeitado, ganhou uma obsessão por filmes e música e dedicou os seus talentos de escrita a um fanzine dedicado aos New York Dolls, banda nova-iorquina de quem também era o presidente do clube de fãs britânico. Fez também uma homenagem a James Dean e escrevia, com frequência, cartas para a revista semanal de música Melody Maker. Durante a explosão punk dos anos 70 tentou, sem resultado, entrar em bandas. Em 1982, conheceu o guitarrista Johnny Marr e os dois começaram a compôr juntos, formando uma das parcerias mais produtivas da pop britânica de sempre, os The Smiths.
O single de estréia "Hand in glove", é uma canção cheia de referências ao homossexualismo, que fez deles uma sensação no underground britânico. Quanto mais atenção atraía, mais Morrissey mostrava saber manipular a imprensa. Suas entrevistas tinham sempre opiniões bombásticas, que na sua maior parte eram concebidas para chocar o público bem como as suas performances, com flores nos bolsos de trás e um aparelho de surdez. Também o seu declarado celibato, provocava um debate intenso, sobre a banda e sobre a sexualidade do cantor.
Dotado de um cinismo profundo como letrista, ele muitas vezes era mal interpretado porque as pessoas achavam que ele defendia os absurdos de que falava e o furor em torno da banda só crescia. O disco homónimo de estréia dos The Smiths, de 1984, foi um sucesso arrasador. Morrissey aproveitou e começou a divulgar as suas opiniões políticas, criticando duramente a primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, além de pregar o vegetarianismo, facto que contribuiu para o baptismo do segundo disco, "Meat is murder"(1985). "The queen is dead", de 1986, foi considerado uma obra-prima, mas Morrissey e Marr já não se entendiam. O guitarrista deixou a banda depois do lançamento de "Strangeways, here we come"(1987) e logo depois Morrissey acaba com os The Smiths e começa uma carreira a solo.
Sentindo-se traído pela deserção de Marr, Morrissey começa a compôr com o produtor Stephen Street e o guitarrista Vini Reilly (Durutti Column). Em 1988 depois de conseguir bons resultados com os hit-singles "Suedehead" e "Everyday is like sunday" lança este seu primeiro álbum a solo "Viva hate", cujo título é uma referência ao colapso dos Smiths, que foi um sucesso comercial bem aceite pela crítica. O som deste álbum não é muito diferente do último trabalho dos The Smiths, a principal diferença reside na presença de sintetizadores, facto que não deixa de ser irônico, considerando a oposição dura dos Smiths aos teclados.
Morrissey demorou tempo demais na preparação do segundo álbum "Kill uncle". Quando o álbum saiu, em 1991, a nova cena de Manchester (Stone Roses, Charlatans, Happy Mondays) já tinha tomado conta das rádios e Morrissey passou a ser uma antiguidade. Depois da edição de vários álbuns e de ter sido ignorado durante anos, Morrisey cumpre 7 anos sem gravar e regressa em 2004 para apresentar o sétimo trabalho de originais da sua carreira "You are the quarry", um disco, afiado como sempre, que o levou de volta ao posto de lenda viva do rock.
Morrisey veio a Portugal pela primeira vez no dia 29 e 30 de Outubro de 1999 para dois concertos nos Coliseus do Porto e Lisboa, respectivamente e regressa a 27 de Junho de 2007 ao Festival de Paredes de Coura.
Formados em 1986 na Islândia, os Sugarcubes não revelaram apenas a cantora Björk, como também lançaram um dos melhores discos pop dos anos 80, o aclamado álbum de estréia, "Life's Too Good", de 1988, que não faz parte da minha lista Top Ten mas ganha o "prémio" de banda revelação.
Reza a lenda que a banda nasceu no dia 8 de junho de 1986, quando nasceu o primeiro filho de Björk e dela fizeram parte Einar Benediktsson(voz,trompete), Sigtryggur Baldursson (bateria), Einar Mellax (teclados), o marido de Björk, Thor Eldon (guitarra) e Bragi Olafesson (baixo).
No final de 1987, a banda que já era assediada por várias editoras inglesas, acaba por assinar com a pequena One Little Indian, no Reino Unido e com a Elektra, na América. Em outubro de 1987, lançam o maxi-single Birthday, que fez um enorme sucesso e catapultou as vendas do álbum "Life's Too Good", lançado em abril do ano seguinte. "Birthday", com o seu andamento estranho, uma letra esquisita e com a voz singular de Björk em primeiro plano, subiu aos primeiros lugares do top inglês. A música foi eleita o single da semana pelo famoso semanário New Musical Express. Com todo este sucesso, Bjork recebe elogios, louvores e toda a atenção contribuindo para o ínicio de uma tensão entre ela e Einar Benediktsson e também entre ela e o marido.
Em 1989, no meio das gravações do segundo disco, Thor divorcia-se de Björk para casar com Magga Ornolfsdottir, que seria a nova teclista da banda, depois de Einar Mellax a abandonar. Para além disto, Olafesson divorcia-se também da sua mulher para casar com Einar Benediktsson, tornando-se na primeira união gay oficial do mundo pop. Foi assim, neste clima, que a banda lançou o disco "Here Today, Tomorrow Next Week!", bem menos inspirado do que o disco anterior. Em 1992 seguiu-se "Stick Around for Joy", que voltou a não repetir o entusiasmo e a boa inspiração de "Life's Too Good". A banda terminou logo depois e é Björk que ganha com tudo isto conseguindo uma brilhante carreira a solo.