Mostrar mensagens com a etiqueta JOE STRUMMER. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JOE STRUMMER. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Discos Twenty Years - The Pogues " If I Should Fall From Grace With God "

Demonstrando que o espírito punk pode viver na música irlandesa tradicional, os Pogues foram uma das bandas mais radicais de meados dos anos 80. Liderados por Shane MacGowan, cuja voz incompreensível muitas vezes disfarçava a poesia absoluta das suas canções, os Pogues foram inegavelmente políticos, sendo muitas das suas canções explicitamente a favor do liberalismo da classe trabalhadora. Até ao final da década de 80 o abuso de álcool e droga de MacGowan começava a mutilar a banda, forçando-a a despedi-lo para conseguirem sobreviver. Os Pogues seguiram sem ele a partir de 1991 (Joe Strummer dos Clash chegou fazer parte dela nesta altura), tocando para um público cada vez mais reduzido até 1996 ano em que colocaram um ponto final na carreira.

Shane MacGowan, um punk irlandês inspirado pelos The Clash, formou os Pogues em 1982 depois de conhecer Spider Stacy numa estação de metro em Londres, onde Stacy tocava flauta. Os dois começaram a ensaiar juntos e recrutaram um velho conhecido de Macgowan, James Fearnley para tocar guitarra, Jem Finer para o banjo, Andrew David Ranken para a bateria e Cait O'Riordan para o baixo. Através das suas actuações excitantes, selvagens e embriagadas, os Pogues muito cedo começaram a ganhar grande reputação e em 1984 acompanharam os Clash, como banda suporte, durante a sua digressão de Verão e no final deste ano lançaram o aguardado debute "Red Roses for Me". No início de 1985, o guitarista Philip Chevron junta-se à banda e pela mão do ilustre Elvis Costello é lançado "Rum Sodomy and the Lash" o álbum a partir do qual os descobri e que me faz recuar no tempo de uma forma única, porque foi daqueles discos que mais tempo permaneceu com uma agulha em cima. Foi sem dúvida o disco que mais me fez dançar na cave da casa do Rui Jorge, com os meus amigos Fernando Jorge, Joca e Fernando Paulo. Em 1987 participaram no filme de Alex Cox "Straight To Hell" e no final do mesmo ano, Cait O'Riordan deixa a banda para se casar com Elvis Costello, sendo substítuida por Darryl Hunt. No início de 1988, com produção de Steve Lillywhite lançaram este "If I Should Fall from Grace with God ". Em 1989 lançaram "Peace and Love" e é também neste ano que acontece a primeira e aguardada visita a Portugal para dois concertos alcoólicamente inesquecíveis, sendo o primeiro no Pavilhão das Antas, dia 29 de Abril e o segundo no Coliseu de Lisboa no dia seguinte. Em 1990 é editado "Hell´s Ditch", o último disco para MacGowan. Três anos depois é lançado "Waiting for Herb", seguindo-se passados outros três anos "Pogue Mahone" o último álbum da carreira cujo título recorda o primeiro nome da banda cuja tradução do gaélico para o inglês é "Kiss my ass".

Para além da banda ter sido claramente radical, eles também tiveram sentido de humor, que foi claro no seu maior sucesso comercial que foi o cântico de Natal "Fairy Tale of New York", um dueto entre MacGowan e Kirsty MacColl, que foi muito bem aproveitado pelo realizador de cinema Richard LaGravenese num dos meus filmes preferidos "P.S. I Love You" e que é retirado deste álbum com vinte anos que vos trago hoje. Resta-me desejar um Bom Natal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

HOMENAGEM - Joe Strummer


Joe Strummer, ou melhor, John Graham Mellor nasceu no dia 21 de Agosto de 1952, em Ancara, na Turquia, devido à profissão do pai que era diplomata e ali tinha sido colocado. Passou a sua infância em colégios internos e já em Londres, na sua adolescência, o jovem Strummer começa a apreciar rock e reggae. A sua carreira é iniciada muito cedo com actuações nas ruas, já com o nome artístico que tinha adoptado. Em 1974, formou os 101'ers mas logo depois de assistir a um concerto dos Sex Pistols, em 1976, resolve apostar em algo novo, mudando as suas direcções musicais saindo dos 101´ers logo após o lançamento de "Keys to Your Heart", primeiro e único single da banda e entra nos London SS, a banda de Mick Jones, Paul Simonon e Topper Headon que após esta formação se passou a chamar The Clash. O resto foi a história contada através de sete álbuns e muitos mais singles e EPs.
Como líder e autor dos Clash, Joe Strummer criou algumas das melhores músicas de punk rock e rock´n´roll de todos os tempos. Strummer ainda foi mais ousado expandindo o punk para sons mais próximos do reggae, dub e rockabilly. A sua rebeldia e as suas posições sociais e políticas também ajudaram a encher algumas das suas canções.
Em 1986, os Clash acabaram definitivamente. Strummer volta a colaborar com Mick Jones, que em 1983 já tinha abandonado os Clash e escreve algumas canções para o segundo álbum dos Big Audio Dynamite. Logo depois de incluir 2 músicas na banda sonora de "Sid and Nancy", um filme sobre a vida de Sid Vicious do realizador Alex Cox, Joe Strummer tenta uma carreira como actor de cinema, aparecendo em filmes de Alex Cox ("Walker" e "Straight to Hell"), Robert Frank ("Candy Mountain") e Jim Jarmusch ("Mystery Train"). Em 1989 grava o seu primeiro álbum a solo, "Earthquake Weather" e entra na banda The Pogues, assumindo a voz e a guitarra. Em 1991 abandona totalmente a carreira de músico só a retomando em 1996 quando participa na gravação de "England´s Irie", um single dos Black Grape. Em 1999 lança o seu segundo álbum, "Rock Art and the X-Ray Style", um álbum que mostra um novo rumo musical que mais uma vez é demonstrado no trabalho seguinte "Global a Go-Go", lançado em 2001.

No dia 22 de Dezembro de 2002, quando estava a meio das gravações do seu quarto álbum "Streetcore" que é lançado em Outubro de 2003, Joe Strummer morre repentinamente de um ataque cardíaco na sua casa em Somerset, Inglaterra. Seis anos depois e para o recordar, "London Calling" um tema onde ele assume a voz , retirado do álbum dos Clash com o mesmo nome, considerado um dos maiores clássicos do rock mundial graças à mistura de géneros musicais, passeando desde o rockabilly até o blues, do punk rock ao reggae.